A folha em branco
Morando em outra cidade, tendo aula em horário integral, não tendo meu próprio computador e disputando o computador de outros com mais uns cinco, a opção, quando tenho vontade de escrever, é empunhar a lapiseira, abrir meu caderno e encarar a folha em branco. Por mais simples que isso possa parecer, a folha pautada, pronta pra ser usada, intimida mais que uma tela em branco com um cursor piscando.
De fato, muita gente ja falou do "branco" que o papel em branco inspira (não espere que eu cite um texto qualquer: ao escrever em um caderno, é impossível acessar o Google para buscar referências). As vezes, as boas idéias estão na cabeça, ou o desabafo está pronto, mas na hora de escrever, tudo que você vê é o branco. O branco do papel e seu reflexo dentro da cabeça.
Ou então, quando você consegue vencer o branco e escrever alguma coisa, surge outro problema. Escreve um parágrafo, até dois, e num impulso, arranca a folha e joga tudo fora. Na folha, o texto dá a impressão de ser mais real, mais acessível (mais até do que aquele publicado na internet - mas é claro, é só impressão) e, por isso, eu pelo menos fico mais exigente. Se você está lendo esse texto agora, é porque eu,, enquanto estava a toa esperando pelas aulas da tarde, consegui passar pelo branco do papel e pela minha exigência em relação ao texto escrito e terminá-lo.
Isso tudo me leva a crer que, urgentemente, preciso de um computador só meu. Ou um notebook, com acesso wi-fi, para facilitar ainda mais minha vida. Agora, me dê licensa que ainda falta uma hora para minha aula e vou ver se consigo escrever algo para postar lá!
(escrito num caderno na terça-feira, 13 de março)
(Des)Esperança
As vezes eu me esqueço como é paradoxal se inteirar sobre as notícias do Brasil e do mundo de maneira mais profunda e completa. Hoje assisti a uma exibição do filme "Uma verdade inconveniente" e, logo em seguida, a um debate organizado pelos professores do colégio que eu estudava (que organizaram a bagaça toda) e acabei fazendo o que disse antes, ou seja, me inteirando um pouco sobre as coisas que acontecem no mundo, e nesse caso específico, sobre as condições alarmantes em que a Terra se encontra em relação ao aquecimento global.
Pra quem não conhece o filme, sugiro que cliquem no link acima. Mas, em linhas gerais, a película estrelada por Al Gore (concorrente derrotado por George Bush à presidência dos EUA em 2000), mostra dados assustadores sobre como o aquecimento global vem aumentando nos últimos anos e pode afetar o planeta num futuro próximo.
Disse que se atualizar dessa maneira sobre assuntos importantes é paradoxal, e me explico. É muito bom saber como a situação é desesperadora, e que algo precisa ser feito imediatamente. No caso de hoje, saí do cinema cheio de vontade de fazer algo para ajudar o mundo, disposto a economizar água, evitar o desperdício de energia, procurar separar lixo reciclável, e a fazer tudo que puder pra ajudar a salvar o planeta e nós, seres humanos. Por esse lado, o filme ajudou a despertar alguma consciencia que ainda restava aqui dentro, e isso é bom.
Por outro, percebi como o ser humano é um bicho estúpido. Percebi que, de forma estrutural, o problema se aumenta e se agrava, dificultando qualquer ação na direção contrária. É desestimulante pensar que, embora várias pessoas saiam da sala do cinema cheias de idéias na cabeça (assim como eu), poucas serão aquelas que as colocarão em prática e farão, de fato, algo para tentar controlar a situação. Assim, por esse ponto de vista, o filme acaba sendo frustrante, ou frustrador (existe isso?), dando menos esperança ainda de que, um dia, a situação vai melhorar.
Enfim, veja o filme e entenda o que estou dizendo. Perceba como a situação ambiental do mundo é delicada e faça o máximo possível para não sair frustrado e desesperançado do cinema, e sim pronto pra fazer algo pelo bem de todos. Porque eu, por mais que pense e planeje, no fim, acabo falhando e não fazendo nada. Infelizmente.
ps.: Como não estou mais morando em Ribeirão e meu acesso a PCs está dificultado, não tenho mais postado frequentemente. Os textos agora serão postados na medida do possível, a cada uma ou duas semanas. Não que alguém se importe, claro, mas é sempre bom se justificar.
update: Havia me esquecido, mas há um site do filme, onde você pode se inteirar sobre a situação e conhecer mais sobre o que você pode fazer para ajudar. Clique aqui para ir até ele. E, nessa mesma linha de ajudar o meio ambiente, há o Clickarvore.com, um site da SOS Mata Atlântica, onde você pode, apenas clicando diariamente, ajudar no reflorestamento da Mata Atlântica. Entre e conheça!
