Sobre o Escuta Só

Era uma noite fria. Ouvia-se trovões, raios cruzavam o céu. Na luz que surgia dessas rachaduras celestes, podia-se ver um casebre no meio do nada. Embora estivesse isolado de tudo e todos, a tecnologia também havia chegado ali. Dentro do casebre, se alguém com muita coragem explorasse-o, encontraria vários grills do programa da tevê, mp3s, mp4s e até mp5s players, encontraria computadores, dvds, pendrives. E, obviamente, uma conexão com internet. A pessoa que ali morava (e sim, morava alguém ali) um dia criou um blog. Um blog interessante, cheio de coisas úteis às pessoas, um blog que gostavam de visitar. Obviamente, ele não linkou o Escuta Só ao blog dele. Mas eu ainda convenço ele, ah, convenço.

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Dons - ou a falta deles

February 25, 2007 @ 1:09 am

Hoje, num momento zen, sentei na sacada aqui de casa e fiquei observando as pessoas. Eu moro num condomínio de apartamentos, são 8 prédios e uma puta área de lazer enorme. O nome do condomínio é Chácara Flora, o que indica que por aqui também tem muitas árvores, flores, arbustos, plantas e tudo mais.

Enfim, toda essa descrição pra dizer que eu tenho uma vista privilegiada da sacada, mesmo morando no primeiro andar. Sentei, com meus fones de ouvido na orelha, curtindo uma musiquinha, vendo a noite chegar e as pessoas passando lá embaixo. Comecei a pensar, filosofar, aquelas coisas que acontecem nesses momentos estranhos, e me peguei pensando nas coisas que eu sabia - ou não - fazer.

Bom, a primeira coisa que pensei é que eu sei escrever. Aprendi pequeno e desenvolvi a técnica, hoje escrevo razoavelmente bem. Mas percebi que não é nada acima da média, não serviria pra escrever um livro, por exemplo. Não é uma coisa que eu faço bem.

Depois, me lembrei que sei nadar. Não nadar de se manter vivo numa piscina de 2,00 m, mas nadar a nível de competição. Por 8 anos de minha vida treinei natação, competi, cheguei a ganhar umas medalhinhas de ouro em torneios regionais, e participei de campeonatos estaduais. Mas ainda assim, nunca fui realmente bom, entre as pessoas que treinavam eu era mediano, e nunca me esforcei muito e tal. Essa também não é uma coisa que eu faço bem.

Lembrei-me então que sei tocar violão e guitarra. Ganhei minha guitarra aos 15 anos, fiz dois anos de aula, o violão veio nesse tempo. Hoje, com 18, posso dizer que tenho 3 anos de experiência. Mas nunca me aprofundei nos estudos de nenhum dos dois instrumentos. Nunca levei realmente a sério as aulas, levava como uma diversão, mesmo gostando muito de tocar. Enfim, toco mais ou menos, não toco bem.

Como última esperança, lembrei que sei cantar. Ah, isso todos fazem, claro, mas me refiro a cantar com técnica. Fiz coral por 2 anos, um coral bom da minha cidade, me apresentei em musicais de peso como Carmina Burana e Ópera do Malandro. Contudo, lá nunca fui um cantor de peso, sempre fiz parte do coro. Nunca fiz um solo, nunca me interessei em realmente fazer aula de canto, nunca cantei realmente bem.

Enfim, toda essa reflexão me fez perceber que, até hoje, nunca encontrei algo em que eu fosse bom de verdade, que fizesse muito bem. Isso me deixou um pouco chateado, mas pensei bem e percebi que ainda tenho muito tempo pra descobri algo assim. Algo que eu realmente faça bem.

E vocês, estão na mesma situação que eu, ou há algo que vocês possam dizer que fazem bem?

ps.: Hoje terminou o horário de verão. Não se esqueça de ajustar seu relógio!

Cenas do dia-a-dia

February 24, 2007 @ 12:09 am

Eu sempre achei que, pra sobreviver neste mundo selvagem e cruel, você precisa ser muito malandro. Hoje tive um exemplo claro do que eu estava falando.

Estava eu na auto-escola, acabara de acabar minha aula. Ligo pra um amigo que tinha me ligado várias vezes enquanto eu dirigia, e ele me diz que vai ter um churrasco na casa dele, e é pra eu ir pra lá. Certo, decido ir e me deparo com um problema: como ir?

A casa do cara era longe, e meus pais não poderiam ir me buscar (quando liguei pra meu pai, ele me disse que tinha acabado de sentar num barzinho com minha mãe, tipo pra fazer um happy-hour, e não ia me pegar nem a pau). Logo, sabendo disso tudo, fui até o moto-táxi do quarteirão seguinte.

Cheguei, expliquei onde ia e o camarada (prestem atenção nele, ele é o cara da malandragem) disse que ficaria R$4,00. Ótimo, eu tava esperando R$5,00, então saiu barato. O problema era que eu não tinha trocado. Aliás, eu só tinha uma nota de R$50,00. Disse isso pro cara, e ele disse que não teria troco. Nesse momento, preparei meus pés pra longa caminhada quando ele disse "Ah, vamos que eu paro no posto e lá eles trocam".

Bom, eu, se fosse frentista de posto, não trocaria R$50,00 nem a pau, mas se ele tava dizendo, montei na garupa e zarpamos (mesmo não estando de barco). Alguns buracos, um pouco de trânsito e semáforos, chegamos ao posto. É aí que veio a malandragem.

O camarada da moto parou do lado da bomba, esperou pelo frentista. O dito cujo veio e perguntou quanto ia. "Coloca R$4,00 pra mim, por favor". É. Ele pediu pra por R$4,00 de gasolina. O frentista olhou desconfiado, mas pois os R$4,00 que o camarada pediu (o que não deu nem 10 segundos de gasolina).

Terminado, eu, que já tinha sacado a parada, entrego minha nota de R$50,00 pro frentista. O coitado olhou com desânimo "Você não tem troco não?". Minha vontade foi de dizer que se tivesse a gente não tava alí, mas era sacanagem com o coitado. Disse que não, ele foi trocar, e, de novo, zarpamos dalí, rumo ao churrasco na casa do meu amigo.

É, pra sobreviver tem que ser malandro!
 

Príncipe Harry Potter?

February 22, 2007 @ 1:41 pm

Saindo do assunto carnaval, os fãs de System of a Down que me desculpem, mas digo que os caras estavam errados quando cantaram "Why do they always send the poor?". Passeando pelo site da Folha, descobri que o Reino Unido mandará, em breve, o excelentíssimo Príncipe Harry para combater no front, na Guerra do Iraque.

De acordo com a notícia, estariam assim realizando um desejo pessoal do príncipe, que é lutar ao lado dos seus colegas do regimento Blues and Royals. Bom seria se todos que vão pra uma guerra fossem pra realizar desejos pessoais.

Sabe, sorte dos ingleses que ele é o príncipe mais novo e não tem muitas chances de herdar o trono. Porque eu, sinceramente, ficaria preocupado se tivesse um rei que vai pra guerra por desejos pessoais. Imagina só, ia ter uma guerra por mês! E pior, pra evitar o deslocamento do rei, muito provavelmente a guerra seria no meu país!

Enfim, vai entender qual é a desses príncipes. Tendo grana pra fazer o que quiser na vida, e poder pra fazer muito mais, o cara quer ir pra guerra! Vai ver que ele tá achando que, pela semelhança no nome, é bruxo. Será?
 

No final, é tudo igual…

February 21, 2007 @ 10:51 pm

Ainda falando de carnaval, uma cena muito comentada do carnaval carioca foi a perda do tapa-sexo que a rainha da bateria da Porto da Pedra, Ângela Bismarchi, sofreu no meio da avenida. De acordo com a declaração dela mesma no G1, o tapa-sexo é feito de meia calça bem fina, da cor da pele e é transparente, pra dar a sensação de nudez.

Agora, me explica uma coisa: por que raios ela põe um tapa-sexo tão fino e transparente a ponto de dar a impressão dela estar nua? Não era muito mais fácil ir sem nada?

Bom, enquanto ela desfilava, o "tapa"-sexo simplesmente caiu. É muito provável que quem assistia não tenha percebido nada, mas ela, que não gosta de colocar roupa sem calcinha, como muita gente faz, estava prevenida e, rápidamente, colocou o "tapa"-sexo reserva, com a ajuda do acessor e do marido, que estavam ali por perto. Pena que, até o momento, não encontrei fotos do ocorrido para ilustrar o post.

Enfim, é interessante ressaltar que a boa moça, que não gosta de colocar roupa sem calcinha, pediu à sua costureira para fazer outras calcinhas deste tipo, para que ela use no dia-a-dia.

Ah… Eu adoro o carnaval.

 

Fim do carnaval

February 20, 2007 @ 6:02 pm

O carnaval já foi uma festa popular. Houve um tempo em que as pessoas (de verdade, a maioria delas) se fantasiavam, vestiam máscaras e, felizes, iam para as ruas, ou para os salões, dançarem pularem, interagirem (entenda como quiser) e festejarem. O carnaval era, de fato, feito pelo povo e para o povo, todos aproveitavam e se divertiam.

Estamos na terça-feira de carnaval, e é triste perceber que não se vê mais isso hoje em dia. O carnaval hoje não é mais feito pelo povo, infelizmente. O carnaval hoje é feito pela mídia e pelos empresários. A gente paga pra ir à avenida assistir às pessoas que pagaram pelas fantasias desfilarem nas escolas de samba, paga pelos abadás caríssimos do carnaval baiano, paga pra assistir o frevo pernambucano ou as festas populares do norte. A opção para curtir o carnaval sem pagar é ligar a TV, em casa, e assistir aos desfiles de escolas de samba, ou a algum show de axé do nordeste.

E cada vez mais vemos por aí jovens falando que não gostam de carnaval, que carnaval é um saco. Os mais velhos, que aproveitaram um pouco do período bom do carnaval, pensam que o problema está nessa geração, que só pensa em raves e micaretas, regadas a ecstasy ou a muita bebida e putaria. Pode ser que eles estejam certos, mas o problema maior é do carnaval, que, de fato, está muito ruim.

Eu gosto do carnaval, mesmo não sendo velho o suficiente pra ter aproveitado seus bons tempos.

Sobre o autor

Aqui deveria haver uma descrição grandona sobre o autor do blog. Como nesse blog só escrevo eu, CoN, e eu não me considero autor de porra nenhuma, falo de mim mesmo. Eu sou foda, rico, bonito e um adjetivo legal a sua escolha. Tenho tudo que eu quero, faço tudo que eu quero e sou a pessoa mais feliz do mundo. Tá, é tudo mentira.

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Histórias pra Boi Dormir
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